quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Mulher de Cachoeira usa nome de Marcelo Miranda para tentar subornar juiz em Goiás, diz G1


Após suspeitas de que a esposa do contraventor Carlinhos Cachoeira, Andressa Mendonça, teria tentado subornar o juiz federal de Goiás Alderico Rocha Santos, o portal G1 publicou entrevista com o magistrado, pela qual ele cita o nome de duas pessoas do Tocantins que teriam sido usadas por Andressa em sua tentativa de suborno. Uma elas é o ex-governador Marcelo Miranda (PMDB). Santos é responsável pelo processo da Operação Monte Carlo na Justiça Federal, que culminou na prisão do bicheiro em fevereiro.

Conforme a matéria do G1, o juiz federal declarou que teria sido chantageado por Andressa. Segundo o magistrado, Andressa o procurou na quinta-feira, 26, afirmando que teria um dossiê contra ele e, em troca da não-publicação, teria pedido um alvará de soltura para Cachoeira.

Conforme relatou o juiz ao portal, na versão de Andressa, o dossiê teria sido produzido a pedido de Cachoeira pelo jornalista Policarpo Júnior, repórter da sucursal da revista Veja, em Brasília.

Conforme o juiz, Andressa teria pedido para conversar com Santos mesmo sem a presença de um advogado. No primeiro momento da conversa, uma assessora do juiz esteve na sala, mas a pedido de Andressa a assessora se retirou.

Andressa teria dito: "Doutor, tenho algo muito bom para o senhor. O senhor conhece o Policarpo Júnior? O Carlos contratou o Policarpo para fazer um dossiê contra o senhor. Se o senhor soltar o Carlos, não vamos soltar o dossiê". O juiz diz também que respondeu que não tinha nada a temer, quando teria ouvido de Andressa: "O senhor tem certeza?".

A mulher de Cachoeira teria escrito em uma folha de papel os nomes o ex-governador do Tocantins Marcelo Miranda (PMDB), que teve o mandato cassado em setembro de 2009 por suspeita de abuso de poder político nas eleições de 2006; um fazendeiro da região do Tocantins e Pará, conhecido como Maranhense; e um "Luiz", que seria um amigo de infância do juiz e supostamente responderia a processo por trabalho escravo. De acordo com o que juiz contou ao G1, Andressa teria dito que o jornalista teria fotos do magistrado com essas três pessoas.

O juiz diz ter encaminhado ao Ministério Público o papel com os nomes escritos por Andressa e imagens de sua entrada e saída no prédio da Justiça Federal.

Andressa prestou esclarecimentos nesta manhã na Polícia Federal em Goiânia e saiu sem falar com a imprensa. A mulher do contraventor terá de pagar fiança de R$ 100 mil e está proibida de visitar o marido, informou a PF.

Outro lado
Ao CT, o governador Marcelo Miranda negou qualquer tiupo de envolvimento suspeito com o juiz e repudiou as insinuações da mulher de Cachoeira. “Não conheço essa senhora. Uma coisa dessas é mais uma armação para tentar me prejudicar”, disse, afirmando que conhece o juiz uma vez que Santos já foi juiz federal no Tocantins, e confirmando que eles não se veem há muito tempo.

O ex-governador também declarou: “Isso é um tipo de perseguição. Que provem esse suposto envolvimento meu com alguma coisa aí”. Questionado, o ex-governador afirmou que nunca teve nenhuma ligação "com ninguém" ligado ao contraventor.

Procurada pelo G1, a direção de Veja afirmou que seu departamento jurídico "está tomando providências para processar o autor da calúnia que tenta envolver de maneira criminosa a revista e seu jornalista com uma acusação absurda, falsa e agressivamente contrária aos nossos padrões éticos".

O ex-governador Marcelo Miranda foi citado algumas vezes na Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, que investiga a relação do bicheiro Carlinhos Cachoeira com políticos e empresários. Em maio, por exemplo, o jornal O Estado de S.Paulo afirmou que Marcelo estaria sendo preparado para ser "mais um braço da organização liderada pelo contraventor". Logo no início do escândalo, a revista Época divulgou gravações em que Cachoeira pede a Demóstenes para tentar influenciar na decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux sobre o recurso de Marcelo para tentar obter a vaga de senador - ele foi eleito em 2010, mas impedido de tomar posse por conta de sua cassação em 2009. O ex-governador sempre negou todas as acusações e garante que não mantém qualquer relação com Cachoeira.

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