Além de criticarem normas ambientais e viárias, líder empresarial
do setor sugere que templos do consumo deveriam receber “uma
contrapartida” da população…
Por Leonardo Sakamoto, em seu blog
“Você paga mais impostos, emprega mais pessoas, dá facilidades de
conforto, dá a economia de tempo. Você entra num shopping center e tem
compras, alimentação, lazer, até um simples bate-papo. Na minha cabeça,
ele deveria cobrar uma contrapartida.”
A declaração é de Luiz Fernando Pinto Veiga, presidente da Associação
Brasileira de Shoppings Centers, dada aos repórteres Carolina Matos e
Evandro Spinelli, da Folha de S. Paulo,
ao ser questionado se as exigências viárias e ambientais impostas aos
shoppings pelos órgãos públicos são equivalentes ao investimento
realizado por eles.
O discurso é semelhante ao do dono da fábrica que diz que faz um
favor aos operários quando abre uma unidade nova, como se ele não
precisasse da força de trabalho de pessoas para ganhar dinheiro. Com
argumentos bem colocados, subverte-se a vida da forma como desejarmos.
Ou seja, os donos de shopping fazem uma caridade aos paulistanos ao
instalarem locais onde se oferece, sem nenhum interesse, realidade
virtual.
Ou, como dizem meus amigos de Alphaville, ao criticarem os
condomínios fechados em que cresceram: “bolhas”. Um ambiente agradável,
asséptico, sem pobreza, dor ou feiúra, com temperatura estável e luz na
quantidade certa para possibilitar aquilo que fazemos de melhor:
comprar.
Como já disse aqui, os produtos que consumimos são estilos de vida.
Do que somos. Do que gostaríamos de ser. Do que deveríamos ser – não em
nossa opinião, necessariamente, mas de uma construção do que é bom e do
que é ruim. Construção essa que vem, não raras vezes, de cima para
baixo. A busca pela felicidade passa cada vez mais pelo ato de comprar. E
a satisfação está disponível desde que você tenha um cartão de crédito
ou débito com saldo. Trabalhamos tanto que, não raro, esquecemos como
demonstrar afeto de forma sincera ou simplesmente não temos tempo para
isso. Então, a fim de compensar nosso silêncio ou nossa ausência, nos
tornando compradores e doadores de símbolos daquilo que não
conseguiremos transmitir por vivência direta.
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