segunda-feira, 9 de abril de 2012

Revista Época mostra envolvimento de Eduardo Siqueira e Marcelo Miranda com Carlinhos Cachoeira

Como qualquer empresa, as organizações criminosas têm seus planos de sobrevivência e expansão. O grupo do empresário Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, inovou em muita coisa, mas não nesse aspecto. Cachoeira tinha negócios escusos e planos de novos empreendimentos em Goiás, Distrito Federal, Mato Grosso e Tocantins, onde contava com a ajuda de políticos e agentes públicos, de acordo com as investigações da Polícia Federal. Mas Cachoeira queria mais. Conversas telefônicas entre Cachoeira e o senador Demóstenes Torres (ex-DEM, agora sem partido), gravadas com autorização judicial e obtidas com exclusividade por ÉPOCA (ouça os áudios ao fim desta reportagem), mostram que os dois planejavam se aproximar de alguma forma do Palácio do Planalto. Numa das ligações captadas, Cachoeira orienta Demóstenes a aproveitar um convite para trocar o DEM pelo PMDB, com o propósito de se juntar à base de apoio do governo e se aproximar da presidente, Dilma Rousseff. “E fica bom demais se você for pro PMDB… Ela quer falar com você? A Dilma? A Dilma quer falar com você, não?”, pergunta Cachoeira. Demóstenes responde: “Por debaixo, mas se eu decidir ela fala. Ela quer sentar comigo se eu for mesmo. Não é pra enrolar”. Cachoeira se empolga: “Ah, então vai, uai, fala que vai, ela te chama lá”. Como se fosse um bom subordinado, Demóstenes acata a recomendação.

Quando esse diálogo ocorreu, no final de abril de 2011, Demóstenes estava em plena negociação com caciques do PMDB, como os senadores Renan Calheiros e José Sarney, para mudar de legenda. Um dos maiores opositores do governo – e carrasco de petistas acusados de corrupção – tencionava aderir ao governo do PT. Segundo dirigentes do PMDB, àquela altura a mudança de partido já tinha o aval do Palácio do Planalto. Tudo nos bastidores, porque em público Demóstenes continuava oposicionista. As gravações mostram agora que um dos objetivos da radical troca de lado era estar mais bem situado para ajudar o esquema de Cachoeira.

O plano de Cachoeira de se aproximar do governo deu errado. Demóstenes, ao que tudo indica, ficou com receio de acabar alijado do Congresso. Ele estava convencido de que a cúpula do DEM pediria à Justiça a cassação de seu mandato por infidelidade partidária. A assessoria do Palácio do Planalto afirma que a presidente, Dilma Rousseff, não falou com Demóstenes desde que assumiu a Presidência.

Cachoeira, preso pela Polícia Federal na Operação Monte Carlo, em 29 de fevereiro, está trancado no presídio federal de Mossoró, Rio Grande do Norte. No ano passado, quando ainda em liberdade, ele tinha outro projeto concreto, além da aproximação de Dilma. Sua intenção era conseguir apoio do PMDB para que Demóstenes chegasse um dia a ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Seria um ativo inestimável para suas atividades.

De acordo com as gravações, o STF já era alvo de ações de Cachoeira. Na mesma conversa em que fala sobre Dilma, ele pede a Demóstenes para tentar influenciar uma decisão do ministro Luiz Fux, do STF. Estava na mesa de Fux um recurso do ex-governador do Tocantins Marcelo Miranda, impedido de assumir uma vaga para a qual fora eleito no Senado, por ter sido condenado por “abuso de poder político” na eleição de 2006. “Ele (Miranda) é um cara nosso”, afirma Cachoeira a Demóstenes. Miranda recorreu ao STF, e Demóstenes prometeu atender ao pedido de Cachoeira e ajudar. O ministro Fux afirma não ter sido procurado por Demóstenes. “O senador não falou comigo sobre isso”, disse Fux a ÉPOCA. “Se ele tivesse me procurado, eu o teria recebido, sem nenhum problema.” Em uma primeira decisão, Fux deu ganho de causa a Miranda. Dez dias depois, mudou sua decisão e cassou o registro da candidatura. “Depois que fui informado de que ele havia sido cassado na Justiça Eleitoral por abuso de poder político, e não pela Lei da Ficha Limpa, eu modifiquei a decisão”, afirmou Fux.

Outra gravação revela que, entre uma e outra decisão de Fux, houve tempo para a turma de Cachoeira comemorar a vitória parcial. A conversa ocorreu entre Cachoeira e Cláudio Abreu, diretor agora afastado da Delta Construções, apontado pela polícia como sócio de Cachoeira numa empresa. Num papo cheio de intimidades, um empolgado Abreu chama Cachoeira carinhosamente de “viado” e “desgramado”. Ele o avisa da decisão sobre Miranda. “Chefia, o Marcelo Miranda é senador”, diz Cláudio. “O bom é que eu sei que ele vai ser procurador seu e meu, né?”

Na mesma conversa, Abreu e Cachoeira emendam outro assunto de estratégia político-empresarial no Tocantins. Abreu defende que a parceria com Miranda não represente uma ruptura com o adversário dele, o ex-senador Eduardo Siqueira Campos. Eduardo é secretário de Relações Institucionais no governo chefiado por seu pai, José Wilson Siqueira Campos, conhecido como Siqueirão. Cachoeira questiona se vale a pena continuar apostando em Eduardo Siqueira.“Eduardo também é bom, Carlinhos. Não pode falar mal dele não, cara”, diz Abreu. “Ele mandou dar o negócio pra nós lá: a inspeção veicular do Tocantins.”

Eduardo Siqueira Campos nega ter destinado um contrato para beneficiar empresa ligada a Cachoeira e Abreu. “Não há ainda definição sobre quem executará o serviço de inspeção ambiental em Tocantins”, afirma. Miranda nega ter pedido ajuda a Cachoeira, a Cláudio Abreu ou a Demóstenes para ter sucesso no STF. “Estou surpreso de ver meu nome citado por essas pessoas”, diz ele. “Cachoeira, por exemplo, eu mal conheço, só o cumprimentei uma vez.” (Revista época)

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Parla, Demóstenes, parla!...

Couto e Jatene: o Detran na mira do contraventor Carlinhos Cachoeira.

Na postagem “Nos tempos da Bicharia” você viu o hoje senador tucano Mário Couto Filho entre os chefões do jogo do bicho, na Belém dos anos 80(http://pererecadavizinha.blogspot.com.br/2012/03/nos-tempos-da-bicharia.html).

Pois muito bem: agora, áudio no site da revista Veja (http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/cachoeira-usou-demostenes-para-se-aproximar-de-senador) mostra que o também contraventor Carlinhos Cachoeira pediu ao senador Demóstenes Torres (uma espécie de pau mandado dele) que o ajudasse a se aproximar... adivinhem de quem? Isto mesmo: do senador Mário Couto Filho.

A conversa entre Cachoeira e Demóstenes foi grampeada pela Polícia Federal em 11 de abril do ano passado.

Ao que parece, o interesse de Cachoeira era o serelepe Detran, comandado à época, salvo engano, pelo igualmente serelepe Sérgio Duboc – o eterno braço direito de Mário Couto.


Eis a conversa, conforme o áudio no site da Veja:

Demóstenes: Fala, professor.

Cachoeira: Como é que é o relacionamento seu com aquele senador lá do Pará, o Mário Couto?

Demóstenes: Muito bom. O Mário... Inclusive o povo acha que, que... Depois eu te falo. Mas eu te ligo. É muito bom o meu relacionamento com ele.

Cachoeira: Eu vou precisar de um negócio aí, eu te falo. Um abraço.

( Pausa. Depois, a conversa é retomada)

Demóstenes: Oi, professor, tá ouvindo?

Cachoeira: O Detran lá é dele.

Demóstenes: Ah, então tá bom. Aí você me avisa o que é, falou?

Cachoeira: Falou, um abraço.

Demóstenes: Um abraço, tchau”.

No site da Veja, a Assessoria de Mário Couto nega que ele tenha recebido de Demóstenes “qualquer pedido de interesse de Cachoeira – até porque, segundo o parlamentar paraense, a relação entre ele e o colega de Goiás não era próxima”.

No entanto, vale lembrar, Couto também jurava que nunca foi bicheiro – até que as fotos publicadas por este blog mostraram que ele foi, sim, banqueiro do jogo do bicho, e até porta-voz de uma pitoresca Associação dos Banqueiros e Bicheiros do Estado do Pará...

Aliás, essa investigação sobre os looongos tentáculos do contraventor Carlinhos Cachoeira promete fortes emoções no estado do Pará.

Além de Mário Couto também já apareceu nos diálogos entre Cachoeira e Demóstenes, todos devidamente grampeados pela PF, a enroladíssima Delta Construções (Leia na Folha de São Paulo: http://www1.folha.uol.com.br/poder/1069883-gravacoes-revelam-favores-de-senador-para-empresario.shtml).

E a Delta, como sabem os leitores da Perereca, mantém contratos milionários com o Governo do Estado, especialmente – vejam só a ironia – na área da Segurança Pública...

Releia aqui:

Aqui:

Aqui:

Aqui:

Aqui:

Aqui:

E aqui:


É o caso de se perguntar: será que o presidente nacional da OAB, Ophir Cavalcante Junior, que pediu publicamente a renúncia de Demóstenes (http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/oab-pede-a-renuncia-imediata-de-demostenes-torres ), não pode dar uma forcinha também pro Pará?

Quer dizer: será que Ophirzinho, paraense de tutano, da gema, não pode pedir ao Ministério Público Estadual que investigue a interessantíssima equação que une Couto ao Detran, Delta à Segurança Pública, e todos à Cachoeira?

De resto, é os paraenses, numa grande corrente prá frente, gritarmos: parla, Demóstenes, parla!...

EDITAL DO CONCURSO DO MPE

O MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO TOCANTINS (MPE/TO), nos termos da Constituição do Estado do Tocantins, da Lei n° 1.050, de 10 de fevereiro de 1999, e da Lei n.o 1.652, de 29 de dezembro de 2005, torna pública a realização de concurso público para provimento de vagas em cargo de nível superior e intermediário, mediante as condições estabelecidas neste edital.

Clique aqui para acessar o EDITAL N° 01/2012 de 04/04/2012

ARTE EM MOVIMENTO

terça-feira, 3 de abril de 2012

Edital para concurso do MPE será publicado nesta quarta-feira

O concurso oferece vagas para três cidades

Denise Soares

Será publicado na edição do Diário Oficial do Estado (DOE) desta quarta-feira, 04, o edital do Concurso Público para preenchimento de 131 vagas do quadro de servidores efetivos do Ministério Público Estadual (MPE) e formação de cadastro de reserva. A Universidade Federal do Tocantins UFT/ Copese será responsável pela condução do certame.

Serão ofertadas vagas para cargos de nível médio e superior, a serem distribuídas nas regionais de Palmas, Gurupi e Araguaína. As inscrições estarão abertas no período de 10 a 23 de abril e a realização das provas, prevista para o dia 27 de maio. Pela manhã, serão aplicadas as provas de nível superior e no período vespertino, as de nível médio. De acordo com o Procurador Geral de Justiça, Clenan Renaut de Melo Pereira, a expectativa é que o resultado final seja divulgado no dia 05 de maio e a homologação do concurso ocorra já no início do mês de junho. “Tão logo aconteça a homologação, os aprovados, conforme classificação e necessidade do serviço, serão nomeados e empossados nos respectivos cargos”, declarou o PGJ.

As inscrições devem ser feitas exclusivamente por meio do site da UFT, no endereço www.copese.uft.edu.br. Será cobrada taxa de R$ 65 para os cargos de nível médio e R$ 85 para os de nível superior.

DIVERSÃO NA TERCEIRA IDADE




Pode parecer que a velhice é uma doença incurável, mas nunca é tarde para a brincadeira e a diversão. Todo fim é um começo.