segunda-feira, 16 de julho de 2012

MARX VAI PARAR EM CARTÃO DE CRÉDITO



Marx em cartão de crédito
      Marx em cartão de crédito


Não adianta perguntar onde está a câmera escondida. Não se trata de uma pegadinha. Parece piada, mas não é. O pai do socialismo científico foi parar em um cartão de crédito capitalista na Alemanha.

O fato se deu na cidade de Chemnitz. O banco Sparkasse Chemnitz pediu aos seus clientes que escolhessem, em uma votação pela internet, um dos símbolos da cidade para estampar o cartão de crédito do Mastercard. E o busto de Karl Marx, construído em 1953, foi o eleito com 35% dos votos.

Mas o que esse caso, inusitado e contraditório, pode significar?

Em primeiro lugar fica claro que os capitalistas, para ganhar dinheiro, são capazes de qualquer coisa, até mesmo explorar a imagem do seu mais decidido oponente.

Em segundo lugar, e mais importante, deve ser vista com mais atenção a escolha popular, até porque a cidade de Chemnitz ficava na Alemanha Oriental e durante o período de existência da mesma se chamava Karl-Marx-Stadt (cidade Karl Marx). [1]

Mas, evidentemente, que o nome da cidade, por si só, não indica muita coisa. E quando ampliamos o olhar encontramos a insatisfação da maioria dos alemães "orientais" com o sistema atual.

Mesmo que o regime "comunista" que experimentaram tenha deturpado as ideias de Marx, que a Alemanha que vivem hoje seja um país capitalista desenvolvido e a maior economia da União Européia, eles não têm dúvida: "a vida era melhor no comunismo", como respondeu 57% em uma pesquisa realizada em 2009. [2]

A quem possa culpar a crise econômica capitalista por essa postura cabe lembrar que tal sentimento vem de mais tempo. Em 2005, por exemplo, a "ostalgie" (nostalgia dos alemães do leste pela Alemanha Oriental) rendeu bons dividendos para empresários que, ao reeditarem produtos e personagens da época, transformaram "a saudade do socialismo em lucro capitalista". [idem 2]

Provavelmente a escolha dos alemães de Chemnitz não está dissociada da percepção descrita anteriormente e pode indicar um protesto contra o capitalismo e uma homenagem ao seu maior crítico, homem cujos méritos teóricos vem sendo reconhecidos até por muitos dos seus adversários e cuja obra é cada vez mais procurada. [3]

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