quinta-feira, 3 de maio de 2012

CONJUNTO HABITACIONAL NA VILA MIRANDO: A HISTÓRIA DE UMA POLÍTICA HABITACIONAL AO AVERSO


Sem muita publicidade, a Prefeitura do município de Araguatins-TO inicia a construção das unidades habitacionais do novo conjunto habitacional, localizado na rua 7, na Vila Miranda. As casinhas são minúsculas. O curioso é que em vez de garantir moradia às famílias de baixa renda que não tem onde morar, a prefeitura pretende arrancar os barracos das famílias carentes, que assustadas com a ameaça de ficar sem barraco, veem as pequenas construções se erguendo sem garantia alguma de que alguma delas seja a sua. Nossa equipe conversou com dois pais de família que dizem que perderam os lotes que tinham e que procuraram a prefeitura no intuito de conseguir uma das casas ou mesmo um outro terreno em outro lugar.

 
Segundo eles, receberam como resposta a indiferença. O cidadão mais velho disse que se sente humilhado, e, com sinais de revolta e tristeza em sua face enrijecida pelo trabalho de sol a sol, disse que tem vergonha de ser cidadão brasileiro e ser tratado da forma que está sendo. Não conseguimos entender o porquê destas pessoas serem impedidas de ganhar uma unidade habitacional. São pessoas que moram em casa de madeira ou pau-a-pique, moradias provisórias, e vivem abaixo da linha da pobreza. Será que vão fazer o mesmo que fizeram no Conjunto Vitória? Dá casão a quem já tem. Para os mais favorecidos, deram casas, para os mais pobres, vão dar cacetadas. Essa é a política pública que o prefeito tem para a camada mais pobre da nossa população.

                                 Casa da dona Concilda

Dona Concita Campos Lima nos disse que há cerca de cinco anos está no cadastro da prefeitura para receber uma casa popular. Cansada de tanto esperar, ela e seu companheiro, Francisco Alves da Silva, ergueram um barraco de palha para morar na Vila Miranda. Disse ainda que hoje vivem sob constante ameaça de despejo. À noite mal conseguem dormir, por qualquer coisa acordam sobressaltados, pesando que é a polícia que está chegando para executar a desapropriação. Pelo que podemos constatar, esses desafortunados estão sofrendo uma espécie de terrorismo psicológico. Dona Concita acrescentou à nossa equipe que pessoas ligada à prefeitura vão lá diuturnamente fazer ameças e que os próprios trabalhadores do conjunto (pedreiros e auxiliares) passam o dia brincado de forma maldosa com as seguintes declarações: “uma perna é minha”, “a cabeça é minha”; “eu só quero o braço”, referindo-se às partes do corpo dela. Dito isso as lágrimas começaram a descer de sua face de mulher sofrida. Se a distribuição das casas no Conjuto Vítória estivesse sido justa, talvez esses pobres coitados, que esperam o dia do despejo, hoje não estivessem lá.


A proprietária deste casebre localizado às proximidades do cemitério, há três anos está na fila de espera para receber uma casa popular. Mas enquanto as unidades habitacionais estiverem sendo usada como instrumento de politicagem e moeda de troca, a vaca vai para o brejo.

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