Sem muita
publicidade, a Prefeitura do município de Araguatins-TO inicia a
construção das unidades habitacionais do novo conjunto
habitacional, localizado na rua 7, na Vila Miranda. As casinhas são
minúsculas. O curioso é que em vez de garantir moradia às famílias
de baixa renda que não tem onde morar, a prefeitura pretende
arrancar os barracos das famílias carentes, que assustadas com a
ameaça de ficar sem barraco, veem as pequenas construções se
erguendo sem garantia alguma de que alguma delas seja a sua. Nossa
equipe conversou com dois pais de família que dizem que perderam os
lotes que tinham e que procuraram a prefeitura no intuito de
conseguir uma das casas ou mesmo um outro terreno em outro lugar.
Segundo
eles, receberam como resposta a indiferença. O cidadão mais velho
disse que se sente humilhado, e, com sinais de revolta e tristeza em
sua face enrijecida pelo trabalho de sol a sol, disse que tem
vergonha de ser cidadão brasileiro e ser tratado da forma que está
sendo. Não conseguimos entender o porquê destas pessoas serem
impedidas de ganhar uma unidade habitacional. São pessoas que moram
em casa de madeira ou pau-a-pique, moradias provisórias, e vivem
abaixo da linha da pobreza. Será que vão fazer o mesmo que fizeram
no Conjunto Vitória? Dá casão a quem já tem. Para os mais
favorecidos, deram casas, para os mais pobres, vão dar cacetadas.
Essa é a política pública que o prefeito tem para a camada mais
pobre da nossa população.
Casa da dona Concilda
Dona
Concita Campos Lima nos disse que há cerca de cinco anos está no
cadastro da prefeitura para receber uma casa popular. Cansada de
tanto esperar, ela e seu companheiro, Francisco Alves da Silva,
ergueram um barraco de palha para morar na Vila Miranda. Disse ainda
que hoje vivem sob constante ameaça de despejo. À noite mal
conseguem dormir, por qualquer coisa acordam sobressaltados, pesando
que é a polícia que está chegando para executar a desapropriação.
Pelo que podemos constatar, esses desafortunados estão sofrendo uma
espécie de terrorismo psicológico. Dona Concita acrescentou à
nossa equipe que pessoas ligada à prefeitura vão lá diuturnamente
fazer ameças e que os próprios trabalhadores do conjunto (pedreiros
e auxiliares) passam o dia brincado de forma maldosa com as seguintes
declarações: “uma perna é minha”, “a cabeça é minha”;
“eu só quero o braço”, referindo-se às partes do corpo dela.
Dito isso as lágrimas começaram a descer de sua face de mulher
sofrida. Se a distribuição das casas no Conjuto Vítória estivesse
sido justa, talvez esses pobres coitados, que esperam o dia do
despejo, hoje não estivessem lá.
A
proprietária deste casebre localizado às proximidades do cemitério,
há três anos está na fila de espera para receber uma casa popular.
Mas enquanto as unidades habitacionais estiverem sendo usada como
instrumento de politicagem e moeda de troca, a vaca vai para o brejo.
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