terça-feira, 22 de maio de 2012

CPI do Cachoeira convoca Rossine e joga Palácio Araguaia no epicentro de um dos maiores escândalos da República

O Estado foi definitivamente incluído no rol de investigações da CPI do contraventor Carlinhos Cachoeira. Dentre os 71 requerimentos aprovados no final da manhã desta quinta estão os que convocam para prestar depoimentos na CPMI os empresários Rossine Guimarães e Jaime Rincon, ambos com negócios no Tocantins. E ainda hoje o UOL revela que grampos da Operação Monte Carlos  mostram que o bicheiro Carlinhos Cachoeira teria contratado, por R$ 1 mil,  uma garota de programa para Eduardo Siqueira Campos, atual secretário de Relações Institucionais do Governo (leia matéria abaixo) em maio do ano passado em Goiânia (GO). Não é fácil, ainda mais que em 2010, a oposição ao ex-governador Carlos Gaguim tripudiou sobre o então candidato à reeleição por fato semelhante que teria acontecido em Campinas (SP), também patrocinado por empresário com interesses em contratos com o governo do Estado.
Rossine, como se sabe, tem negócios com o atual governo, tendo, inclusive, feito obras. Ele, que era sócio do ex-governador Carlos Gaguim na BPR Empreendimentos recebeu com sua empresa (a Vale do Lontra), de 1º de setembro de 2009 a 17 de setembro de 2010 o equivalente a R$ 89 milhões 799 mil e 344. De 2007 até aqui, como investiga o Ministério Público, os repasses do governo a empresas de Rossine somam, desde 2007, R$ 245,7 milhões. O MP pretende checar a regularidade dos contratos, firmados com a Construtora Rio Tocantins (CRT), de propriedade de Rossine e usada por Cachoeira para negociar licitações, segundo o inquérito da Operação Monte Carlo.
Na gestão de Marcelo Miranda, que antecedeu a Gaguim,ele teria recebido R$ 84 milhões, o equivalente R$ 2,9 milhões por mês. Com Gaguim no poder, os repasses aumentaram: R$ 142,2 milhões ou R$ 9,4 milhões mensais. No ano passado, já no governo de Siqueira Campos, o Estado transferiu R$ 19,1 milhões para a empresa. No governo de Siqueira Campos, a média foi de R$ 1,2 milhão por mês.
É como se diz,há negócio suficiente para se jogar no ventilador. Leia a matéria do UOL. Eduardo se defende e diz que o Estado não tem negócios com a Delta, pivô de todo o esquema. Mas o estrago (que não é pequeno) está feito.

Cachoeira pagou garota para filho de governador

Grampos da Operação Monte Carlo mostram que o bicheiro contratou uma garota de programa para Eduardo Siqueira Campos, filho do governador do Tocantins, informa Leandro Mazzini, na Coluna Esplanada
PF: Cachoeira pagou garota de programa para filho de governador
O inquérito da Operação Monte Carlo traz um trecho revelador dos expedientes que eram usados pela quadrilha para obter vantagens nas suas aproximações de governos. Como a empreiteira Delta Construções tinha interesse em fechar contratos no Tocantins, o contraventor Carlinhos Cachoeira pagou um jantar e contratou uma garota de programa para acompanhar Eduardo Siqueira Campos, o então secretário de Planejamento do Tocantins e filho do governador Siqueira Campos (PSDB). De acordo com o relatório da Polícia Federal, o jantar de Eduardo Siqueira Campos, ex-deputado e ex-senador, com a garota de programa aconteceu no dia 19 de maio de 2011, em Goiânia. No dia seguinte, segundo interceptação telefônica que consta do inquérito, Cachoeira conversou com o ex-diretor da Delta para a região Centro-Oeste, Cláudio Abreu, sobre o ‘arranjo’ para agradar ao secretário. Cachoeira reclama do valor da conta, R$ 1 mil, e Abreu o ironiza: “Você deu para vir de Brasília só para tomar vinho, bem feito!”

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